AUDIÊNCIA DO FUTEBOL FEMININO NA EUROPA E O ABISMO DA AMÉRICA LATINA
- Carolina Chassot

- 7 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2025
Eurocopa Feminina levou mais de 657 mil pessoas aos estádios enquanto a Copa América Feminina registrou menos de 24 mil torcedores na grande decisão

A Europa deu um salto visível no futebol feminino em 2025. A UEFA Women’s EURO 2025, realizada na Suíça entre 2 e 27 de julho, reuniu 657.291 espectadores nos estádios, superando amplamente o recorde anterior de 574.875 da edição de 2022. Só na fase de grupos, as primeiras 24 partidas levaram 461.582 pessoas, um crescimento de cerca de 25% em relação à mesma etapa de 2022. Esses números refletem não apenas uma competição bem organizada, mas também o crescente apelo de público: jogos com casa cheia, vendas antecipadas e maior visibilidade internacional.
Enquanto isso, na América Latina, a realidade do maior torneio do continente foi bem diferente. Na Copa América Feminina 2025, sediada no Equador entre 11 de julho e 2 de agosto, os estádios ficaram visivelmente vazios, e a venda de ingressos começou poucos dias antes do início da competição, um retrato claro da falta de planejamento e de valorização.
A diferença é explicada, em grande parte, pela forma como o futebol feminino é tratado. Na Europa, clubes e federações passaram a enxergá-lo como um produto comercial e cultural, e não apenas como o cumprimento de uma exigência regulamentar.
O Everton Women, por exemplo, passou a mandar seus jogos no Goodison Park, um estádio histórico, tradicional e com forte apelo emocional. É um gesto que representa investimento, confiança de mercado e profissionalização.
Já na América Latina, muitos clubes mantêm equipes femininas apenas para cumprir regulamentos, sem estratégia de público, marketing ou receita e, muitas vezes, com estruturas mínimas para treino e jogo.

Na Frauen-Bundesliga, da Alemanha, a temporada 2025/26 começou já entrando para a história: 57.762 torcedores assistiram ao duelo entre Bayern München Frauen e Bayer Leverkusen Women, quebrando o recorde de público para um jogo de clubes do futebol feminino alemão.
No Brasil, o Campeonato Brasileiro Feminino segue sendo mal divulgado, tanto pela CBF quanto pelos próprios clubes, o que naturalmente resulta em baixa renda e pouco público.
Mesmo com avanços pontuais em bilheteria e transmissões, o campeonato ainda precisa de uma estratégia sólida de engajamento e valorização.
Para mudar esse cenário na América Latina, não bastam boas intenções. São necessários investimentos reais em estádios, operação, comunicação e posicionamento de mercado. O futebol feminino precisa ser tratado como um time para torcer, um produto para consumir e uma plataforma para marcas e mídias e não apenas como um “check” obrigatório para disputar a Série A.








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